imageimageimageimageimageimageimageimageimageimageimageimageimageimageimage
previous next

Projetos

Há quatro principais frentes de pesquisa sendo desenvolvidas pelo LABCMA, a saber: Projeto Atlantis, Bioacústica, Cruzeiros Oceanográficos e Avistagens de Cetáceos em Alcatrazes. Nas abas a seguir encontram-se descrições resumidas de cada uma das frentes de pesquisa, com acesso a galeria de fotos quando disponíveis.

Projeto Atlantis

 

Desde 1995 é conduzido o Projeto Atlantis do litoral sul do Estado de São Paulo ao litoral norte do Estado do Paraná. Naquele ano, a equipe de pesquisadores detectou que havia uma grande aversão dos moradores locais no que se refere à presença de órgãos governamentais na região. Era costume se criar áreas de conservação sem consultar habitantes locais, muitas vezes expulsando-os de seus lares. Vinculados à Universidade de São Paulo, estudantes de pós-graduação e de graduação tiveram a ideia de criar um veículo que desviasse a atenção dos locais dos órgãos públicos. Estava assim criado o Projeto Atlantis.

O objetivo do Projeto Atlantis é realizar estudos sobre a mortalidade de baleias e golfinhos, envolvendo por consequência estudos de história natural das espécies envolvidas, assim como engajar em iniciativas de investigação de aspectos populacionais envolvendo o boto-cinza, Sotalia guianensis, encontrado em águas estuarinas e costeiras locais. Para alcançar os objetivos propostos, diferentes linhas de ação foram e continuam sendo desenvolvidas e aprimoradas:

 

Eventos de Encalhes

Encalhes de cetáceos são eventos que culminam na presença de baleias e golfinhos à costa, cujas causas podem ter sido de origem natural ou antropogênica, sendo que estes mamíferos podem surgir mortos, morrerem em decorrência do encalhe, ou podem ser encontrados vivos e assim liberados com ou sem a ajuda de humanos.

A Ilha Comprida, município do Estado de São Paulo, apresenta 74km de extensão voltados ao Oceano Atlântico. Animais mortos como quelônios, aves e mamíferos geralmente são carregados pelas correntes para a praia e podem servir de base para a condução de estudos sobre história natural. Entre os anos de 1996 e 1998, e depois entre 1999 e 2004, monitoramentos sistematizados dessa praia foram realizados pela equipe do Projeto Atlantis, gerando material biológico de grande valia para muitos estudos. Além da Ilha Comprida, a praia do Marujá, na Ilha do Cardoso (SP) e a praia Deserta na Ilha do Superagui (PR) já foram monitoradas entre os anos de 1996 e 1998, gerando material biológico para diversos estudos. Por meio de projeto de pesquisa aprovado pela FAPESP (processo 10/51323-6), os encalhes de cetáceos passaram a ser monitorados mais uma vez desde setembro de 2012.

Capturas Acidentais em Operações de Pesca

Por motivos ainda pouco conhecidos, cetáceos não detectam redes de pesca armadas no ambiente aquático com o único intuito de capturar pescado para servir de alimento aos humanos. Emaranhados nas redes os cetáceos não conseguem respirar por não alcançar a superfície da água e morrem afogados. É necessário mapear a quantificar estes eventos, e esse estudo somente pode ser conduzido com a cooperação dos armadores de pesca. Entre os anos de 2004 e 2007 uma primeira investida foi realizada com apoio dos armadores de pesca locais no intuito de mapear e quantificar as capturas acidentais de pequenos cetáceos no litoral sul de São Paulo e norte do Paraná. Houve apoio do PROBIO, FNMA e CNPq para o desenvolvimento daquele projeto coordenado pela FIOTEC da Fundação Oswaldo Cruz do Rio de Janeiro. Aquele esforço de observação foi pioneiro na região e gerou informações que serviram de base para uma ação de manejo em conjunto com os armadores de pesca. A frota pesqueira voltou a ser monitorada a partir de dezembro de 2011 por meio de apoio financeiro da FAPESP (processo 10/51323-6). O objetivo é de avaliar se as propostas de manejo reduziram as capturas acidentais dos pequenos cetáceos. 

Foto-Identificação

 

Em 1996 foi dado início de forma pioneira à aplicação da técnica de foto-identificação para levantar parâmetros ecológicos do boto-cinza no estuário de Cananéia. A foto-identificação visa identificar indivíduos da população no espaço e no tempo. Com a utilização da referida técnica é possível investir em estudos envolvendo uso de área, abundância, organização social, dentre outros. A área de estudo se expandiu para o Complexo Estuarino de Paranaguá (CEP) em 2006 englobando assim uma extensão de 160 km de linha estuarina costeira de investigação. Com a expansão do estudo para o CEP, a equipe do LABCMA descreveu a existência de mais uma população de toninhas encontrada em estuário. A toninha é uma espécie de cetáceo que atualmente se encontra inserida na categoria de "vulnerável à extinção" nas listas da IUCN e nacional. Os estudos de foto-identificação do boto-cinza foram financiados pela Cetacean Society International, Whale and Dolphin Conservation Society, Earthwatch Institute e FAPESP entre os anos de 1996 e 2010. Esse esforço de longo prazo é fundamental para conhecer e conservar o estoque populacional de uma espécie de longevidade relativamente alta (cerca de 35 a 40 anos) encontrado nas referidas águas estuarinas. A partir de 2014 o IOUSP oferecerá exclusivamente aos seus alunos de graduação uma oportunidade de envolvimento em experiência embarcada de uma semana em Cananéia auxiliando a equipe do laboratório na pesquisa do boto-cinza. 

 

 

Bioacústica

 

Ao longo de sua evolução, cetáceos reconquistaram o ambiente aquático. Os seus ancestrais e os cetáceos arcaicos tinha quatro pares de patas e, em milhões de anos de evolução, abandonaram o ambiente terrestre para passar toda a sua vida em ambiente aquático. Uma das principais mudanças nesta transição e intimamente relacionada ao sucesso dos cetáceos como os principais mamíferos que conquistaram o ambiente aquático está no complexo uso do som. Na água, o som se propaga cinco vezes mais rápido do que no ar e serve como veículo para o principal sistema sensorial utilizado pelos cetáceos: a audição. Em virtude desta relevância, aliada ao incremento da poluição sonora gerada pelos humanos em ambientes aquáticos, serão iniciados estudos com bioacústica e cetáceos pelo LABCMA em 2014.

Em breve serão apresentados nesta seção os detalhes dos primeiros estudos que devem ser iniciados no segundo semestre deste ano como ponto de partida para as investigações envolvendo bioacústica e cetáceos.

 

Cruzeiros Oceanográficos

 

A biota de cetáceos na costa do Estado de São Paulo passou a ser melhor conhecida na década de 1990 quando três grupos de pesquisa passaram a relatar os dados de encalhes e avistamentos. O Projeto Atlantis, no sul do Estado, o Centro de Estudos sobre Encalhes de Mamíferos Marinhos (CEEMAM) em Santos, e o SOS Mamíferos Marinhos em São Sebastião, litoral norte. Esse empenho que perdurou por cerca de 15 anos gerou a publicação mais completa e atualizada sobre esses registros para a costa paulista (ver Santos et al., 2010).

Com o estabelecimento da Área de Proteção Ambiental Marinha na costa paulista em 2008, e engajamento em esforços de criação do Parque Nacional Marinho do Arquipélago dos Alcatrazes a partir de 2011, elaborou-se uma proposta de pesquisa envolvendo a realização de cruzeiros oceanográficos pela costa paulista, aprovado pela FAPESP em setembro de 2012 (processo 11/51543-9). O projeto visa mapear a ocorrência, distribuição e movimentos de cetáceos pela costa do Estado de São Paulo (ESP) entre os anos de 2012 e 2015 por meio de cruzeiros oceanográficos. Esta é uma iniciativa inédita para o ESP onde já foram registradas as ocorrências de 29 espécies de cetáceos, que representa 63% das espécies observadas em águas brasileiras. Veja fotos na galeria.

A partir de 2013 uma parceria com a Estação Ecológica (ESEC) Tupinambás vem sendo estabelecida para monitorar a ocorrência de cetáceos na Unidade de Conservação (UC).

Um dos propósitos de elaboração dos cruzeiros oceanográficos é identificar indivíduos de determinadas espécies de cetáceos por marcas naturais ao longo do tempo e do espaço. A ferramenta utilizada chama-se fotoidentificação. Ao subir para respirar, os cetáceos expõem a nadadeira dorsal que é a parte do corpo utilizada como cédula de identidade individual. No link a seguir você terá acesso aos catálogos de identificação individual confeccionados até o presente momento. Caso você faça fotografias como as que estão à disposição e queria compartilhar com nossa equipe, fique à vontade. O mesmo se aplica para os casos em que golfinhos ou baleias aparecerem mortos em praias. A fotografia da nadadeira dorsal pode nos mostrar que data e local um dos indivíduos acompanhados surgiu. Catálogo Photo-ID 

        

 

Cetáceos em Alcatrazes

Em 2012 foi dada a largada a uma iniciativa ímpar na história da pesquisa e conservação de cetáceos no Brasil. Diferentes atores envolvidos com um só o objetivo: a conservação da biodiversidade marinha no litoral norte paulista. Essa iniciativa visa conciliar a oportunidade que muitas pessoas têm de navegar pela costa do Estado de São Paulo com gerar informações importantes para a pesquisa e a conservação de baleias e golfinhos. Qualquer voluntário pode fazer parte dessa iniciativa com sua embarcação nos cruzeiros para o Arquipélago dos Alcatrazes, ou enviado comprovações de avistamentos para esta central de coleta e organização.

As expedições são agendadas com pelo menos dois meses de antecedência. Para serem realizadas, há a necessidade de confirmação ao menos dois dias antes do cruzeiro em função de possíveis instabilidades do clima. A centralização dessa operação se concentra no Iate Clube da Barra do Una (ICBU), com conexões ao Yatch Club de Ilhabela (YCI), dois dos mais importantes parceiros engajados na conservação da biodiversidade marinha. Em paralelo, há a supervisão do Instituto Chico Mendes para a Conservação da Biodiversidade (ICMBio) em todas as expedições, para sempre zelar pela proteção dos recursos naturais. Em todas as expedições também contamos com a autorização da Marinha do Brasil (MB), a quem sempre são estendidos convites para a participação dos eventos. Por fim, a contribuição científica no tocante aos cetáceos cabe ao Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (IOUSP), representado pelo Laboratório de Biologia da Conservação de Mamíferos Aquáticos (LABCMA), que capacita os monitores, alunos de graduação da própria instituição, a auxiliar no levantamento de dados científicos.

As expedições são constituídas de largada por volta das 8:00h da manhã com destino ao Arquipélago dos Alcatrazes em rotas pré-definidas e que abordem uma extensa área onde baleias e golfinhos podem ser avistados neste caminho. Ao avistar os cetáceos, os monitores irão coletar as informações necessárias e a embarcação fará contato com a sede para comunicar a todos o local do avistamento. Ao chegar no Arquipélago, é autorizado aos tripulantes realizar uma volta pelo mesmo para contemplar sua exuberante beleza, e todos devem ancorar no local indicado pelo ICMBio. Após ancorado, nado livre é autorizado nas proximidades da embarcação. O horário máximo de permanência vai até as 14:00h, quando o ICBU irá convocar a todos para o retorno.  O retorno se faz preferencialmente pela mesma rota da ida, continuando o trabalho de avistamento de cetáceos. Fotos e videos elaborados pelas tripulações serão solicitados pelos pesquisadores do IOUSP que irão proceder com a identificação das espécies.

Histórico de Expedições:

14 de abril de 2012

A primeira expedição envolvia uma previsão de tempo nublado, com sol reluzente no Arquipélago por volta das 14:00h. Dito e feito! Na viagem de ida, com o clima nublado e 20 embarcações com cerca de 130 participantes partindo do ICBU, a Ballerina inaugurou os avistamentos de cetáceos ao encontrar um grupo de golfinhos-pintados-do-Atlântico (Stenella frontalis) por alguns minutos, e depois por um grande grupo de golfinhos-nariz-de-garrafa (Tursiops truncatus). Saltos efetuados pelos golfinhos os levavam a 3 metros para fora da água. Incrível cartão de visitas. Houve também avistamentos de baleia de espécie não identificada, avistamento de baleia-de-Bryde (Balaenoptera edeni) e a coleta de um petrel encontrado morto e boiando no mar. A viagem de volta contou com o aceno do sol de boas vindas ao programa, e com um avistamento final do boto-cinza (Sotalia guianensis) nas proximidades do ICBU. Foi uma bela estreia! Veja fotos na galeria.

21 de julho de 2012

 

A segunda expedição ocorreu em um sábado de inverno, porém ensolarado. Foram 14 embarcações participantes. Havia grande expectativa na ocorrência de espécies de baleias e também de aves marinhas migratórias. Albatrozes-de-bico-amarelo (Thalassarche chlororhynchus) e albatrozes-de-sombrancelha (Thalassarche melanophrys) foram avistados. Ao lado do Arquipélago dos Alcatrazes houve avistamento de golfinhos-de-dentes-rugosos (Steno bredanensis), e peixe-lua (Mola mola). Aqui foi dada a largada para a confecção do catálogo de indivíduos identificados por marcas na nadadeira dorsal. O inverno também brindou a expedição com o avistamento de um lobo-marinho-sul-americano (Arctocephalus australis) em Alcatrazes e no caminho de volta. Veja fotos na galeria.

06 de Outubro de 2012

A terceira expedição contou com o apoio de 16 embarcações e cerca de 100 participantes. Houve avistamentos de baleia, possivelmente baleia-de-Bryde, e de golfinhos-de-dentes-rugosos (Steno bredanensis) em atividade de alimentação, associados com petréis-das-tormentas (Oceanictes oceanicus). Houve registros fotográficos dos golfinhos predando um peixe chamado guiavira (Oligoplites saliens; Perciformes, Carangidae). Esses peixes chegam em média a 35cm, podendo chegar a 50cm, e ocorrem de Honduras ao Uruguai. Veja fotos na galeria.

19 de Janeiro de 2013

Nesta expedição foram 22 embarcações participantes, saindo do ICBU, do YCI e da Marinas Nacionais. Na viagem de ida ao Arquipélago foram avistados tubarões-martelo e peixes-lua. Não, eles não são cetáceos, porém fazem parte de uma importante cadeia alimentar riquíssima encontrada na região. Na viagem de retorno a embarcação a presença de golfinhos-nariz-de-garrafa (Tursiops truncatus) na área Delta da ESEC foi notificada pela monitora Aline Boutros que fez ótimos registros fotográficos. Veja fotos na galeria.

02 de Março de 2013

Com a participação de 20 embarcações partindo do ICBU e YCI, e totalizando cerca de 100 participantes, esta foi a única expedição sem avistamentos de cetáceos. Uma mudança brusca nos ventos provocando a formação de “carneirinhos” na superfície da água (espuma branca provocada pela quebra de pequenas ondas geradas pela ação dos ventos), dificultou aos tripulantes a procura e o avistamento de baleias e golfinhos. Foi um dia de sol que encorajou muitos dos participantes a vivenciar um ótimo banho de mar ao lado de suas embarcações. 

 

04 de Maio de 2013

Cerca de 20 embarcações participaram partindo do ICBU e YCI,  totalizando aproximadamente 100 participantes. Uma experiência incrível foi vivenciada ao reportar a presença de cerca de 200 golfinhos-pintados-do-Atlântico bem ao lado do Arquipélago dos Alcatrazes. Um resultado importante para a pesquisa científica foi a catalogação de novos indivíduos reconhecidos por marcas naturais na nadadeira dorsal. Participantes desta expedição avistaram esses golfinhos tanto na viajem de ida quanto no retorno às marinas. Sol forte e mar calmo proporcionaram aos participantes inesquecíveis mergulhos livres. Veja fotos na galeria.