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Cananéia: Cidade Ilustre do Brasil

O município de Cananéia, com cerca de 23 mil habitantes, foi fundado em 1532 por Martim Afonso de Souza. Situado a cerca de 260 km da cidade de São Paulo, está inserido dentro do complexo estuarino-lagunar de Iguape-Cananéia-Paranaguá, com cerca de 160 km de extensão. Esta área já foi considerada como uma das três principais reservas da Biosfera em termos de produtividade biológica. A seguir iremos abordar três aspectos: história, fauna e flora e comunidade local. Conheça um pouco mais sobre esse incrível berçário de espécies marinhas e estuarinas e sobre um povoado muito simples, porém honesto, trabalhador e que zela pelo ambiente que o cerca.


História e Paisagem

Cananéia tem uma maravilhosa história e alguns de seus remanescentes podem ser encontrados mesmo nos dias de hoje ao caminhar por esta belíssima cidade. Veja algumas fotografias que retratam uma pequena fase desta história e que atualmente são pontos turísticos da região.


Martim Afonso de Souza, um navegador português, é oficialmente conhecido como o fundador de Cananéia em 1532. Em sua homenagem, seu busto foi erguido na principal entrada do município de Cananéia. (Foto: Marcos César de Oliveira Santos)

Esta é a fachada do setor mais povoado da Ilha de Cananéia. Pode-se observar uma caravela antiga relembrando aquela que teve Martim Afonso de Souza como Capitão. Ele é considerado como o fundador de Cananéia em 1532. Dados históricos mostram que outros aventureiros já haviam chegado em Cananéia por volta de 1502. Porém, alguns moradores locais mais idosos costumam dizer que mesmo antes do ano do descobrimento do Brasil, alguns europeus já se encontravam em Cananéia. (Foto: Marcos César de Oliveira Santos)

Do topo do Morro São João é possível observar praticamente toda a Ilha de Cananéia. A cidade apresenta uma população estimada em 13.000 habitantes (em 2000), incluindo-se aqui a porção continental do município. (Foto: Marcos César de Oliveira Santos)

Nesta foto é possível notar a Avenida Beira-Mar, um excelente lugar para se descansar observando a beleza do estuário local. Turistas adoram caminhar pela Beira-Mar. Ao longo desta avenida, o charme das casas antigas e históricas construídas nos anos 1500s e 1600s pode ser apreciado. (Foto: Marcos César de Oliveira Santos)

A Igreja de São João Baptista foi construída em 1758 para servir de fortaleza contra invasores. A parede é espessa e constituída de calcário retirado de conchas e de óleo extraído da gordura de baleias que eram caçadas ao largo da Ilha do Bom Abrigo. Pequenas frestas na parede lateral da Igreja e de frente ao estuário (as seteiras) permitiam a passagem de flechas de dentro para fora, para atingir os intrusos sem que os mesmos atingissem quem se encontrava no interior da Igreja. (Foto: Marcos César de Oliveira Santos)

Na praça principal de Cananéia, além de encontrarmos a Igreja de São João Baptista construída em 1758, também podem ser encontrados dois canhões que foram trazidos aos município em 1900. Antes disso, essas armas foram utilizadas para proteger a principal entrada do estuário local, que assim foi chamada de Ponta da Trincheira. (Foto: Marcos César de Oliveira Santos)

A Rua do Artesanato foi uma conquista de membros da comunidade local. Lá você poderá encontrar quiosques que vendem peças de artesanato local. A maioria deles contém produtos feitos artesanalmente por membros da comunidade local. Colabore com eles: visite a Rua do Artesanato e compre artesanato feito à mão por membros da comunidade local.


No centro histórico local é possível observar algumas casas antigas que foram construídas no século XVI. Muitas dessas casas ainda estão preservadas. Como era uma antiga tradição local, as paredes das mesmas eram construídas com conchas para manter a sua estrutura e óleo manufaturado a partir de baleias-francas e de cachalotes que eram caçadas ao longo da costa de Ilha Comprida e da Ilha do Cardoso. A gordura dessas baleias era cozida em caldeiras na Ilha do Bom Abrigo. (Foto: Marcos César de Oliveira Santos)

Esta é a principal entrada do estuário de Cananéia. É possível observar a Ilha do Bom Abrigo no canto superior esquerdo da foto, a porção sul da Ilha Comprida à esquerda, e a porção norte da Ilha do Cardoso à direita. Nesta área é possível encontrar os botos-tucuxi, assim como muitas espécies de aves marinhas como as fragatas e os atobás. Os pescadores locais tomam muito cuidado ao atravessar essa entrada quando partem para a pesca em mar aberto, já que muitos bancos de areia já foram responsáveis por acidentes fatais devido ao naufrágio de diversas embarcações. (Foto: Marcos César de Oliveira Santos)

Este é o Morro São João que está situado na Ilha de Cananéia. Ele oferece uma bela vista de seu topo a 98 metros de altura. Para alcançá-lo deve-se subir uma trilha leve. (Foto: Marcos César de Oliveira Santos)


As escarpas da Serra do Mar chegam a formar a imagem de um gigante deitado sobre o solo. É por isso que esta montanha mostrada na foto é denominada de Morro do Gigante. (Foto: Luciana Barão Acuña)

Em 1949 a base de pesquisas do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (IOUSP), conhecida como base João de Paiva Carvalho, foi instalada na Ilha de Cananéia. Ela encontra-se a 290 Km da sede do IOUSP. Nesta foto pode-se observar a embarcação de pesquisa oceanográfica conhecida como Véliger à frente da base. (Foto: Marcos César de Oliveira Santos)

Um dos locais mais bonitos do mundo para se apreciar um pôr do sol é Cananéia. O sol se põe a dormir por trás das escarpas da Serra do Mar e o seus últimos lampejos de luz nos mostram o real valor da vida. (Foto: Marcos César de Oliveira Santos)

Outro local fantástico para se curtir o pôr do sol situa-se na Ponta da Trincheira, em Ilha Comprida. É uma experiência de se tirar o fôlego. (Foto: Marcos César de Oliveira Santos)

Um dos mais belos momentos para se curtir em Cananéia: o pôr do sol!
(Foto: Marcos César de Oliveira Santos)

Pôr do sol a partir de Ilha Comprida. (Foto: Marcos César de Oliveira Santos)

Fauna & Flora

Neste imenso local você pode encontrar milhares de diferentes formas de vida. Cores brilhantes, pequenos e grandes seres vivos e espécies endêmicas, ou seja, que somente podem ser encontradas na região. Nós temos uma grande riqueza chamada BIODIVERSIDADE e precisamos aprender a dar valor à mesma.


Esta foto mostra uma garça-branca-grande (Ardea alba) em pleno vôo próximo a uma borda de mangue. Essas garças são comuns ao longo de todo o ano no litoral de São Paulo e do Paraná. Elas se alimentam principalmente de peixes. Esta espécie apresenta um bico amarelo e patas pretas. (Foto: Marcos César de Oliveira Santos)


Diferentemente da garça-branca-grande, a garcinha-branca (Egretta thula) apresenta um bico preto e patas amareladas. Esta garcinha da foto estava à procura de pequenos peixes na praia de Ilha Comprida. (Foto: Marcos César de Oliveira Santos)

Nas praias de Ilha Comprida e do Parque Estadual da Ilha do Cardoso é muito comum observar a presença de aves marinhas durante todo o ano. Uma das aves mais comuns na região é o atobá (Sula leucogaster). São aves que habitam ilhas e baías ao longo da costa onde podem ser encontrados seus ninhais. Alimentam-se principalmente de peixes que capturam em arrojados mergulhos. (Foto: Marcos César de Oliveira Santos)

O colhereiro (Ajaia ajaja) foi muito comum em praticamente todos os manguezais do Brasil. Infelizmente essas aves têm sido capturadas há muitos anos para fornecer penas para a confecção de roupas exóticas. Ao longo dos manguezais locais você pode ter a oportunidade de ver essa bela e quase rara ave. (Foto: Marcos César de Oliveira Santos)

O papagaio-da-cara-roxa (Amazona brasiliensis) clama por ajuda. Sua distribuição se restringe aos estados do Paraná (PR) e de São Paulo (SP). Essas belas aves sofreram com os impactos das derrubadas das matas para a construção de estradas e de fazendas, assim como com o comércio ilegal no Brasil e no exterior. Sua coloração é característica, apresentando a face com penas vermelhas e roxas, de onde surgiu seu nome. Habitam ilhas que ainda apresentam remanescentes da Mata Atlântica, como as Ilhas do Cardoso (SP), de Cananéia (SP) e do Superagui (PR). Podem fazer ninhos em buracos ôcos nos troncos das árvores, onde as fêmeas costumam colocar até 4 ovos. Os machos chegam a auxiliar na vigia dos ninhos, enquanto a fêmea choca os ovos. Costumam se alimentar de pequenas frutas que encontram nas matas. (Foto: Marcos César de Oliveira Santos)

As fragatas (Fregatta magnificens) são comuns em praticamente todas as regiões costeiras do Brasil. Elas costumam sobrevoar barcos pesqueiros afim de obter alimento fácil quando os pescadores jogam fora o excedente do pescado. São também chamadas de "tesourinhas" em função de suas caudas aparentarem tesouras. (Foto: Marcos César de Oliveira Santos)

A mundialmente conhecida gaivota (Larus dominicanus) também é comum na região. (Foto: Marcos César de Oliveira Santos)

O carcará (Polyborus plancus) é uma ave falconiforme que pode ser encontrada em todo o Brasil. A alimentação dessas aves é variada, podendo variar entre minhocas, pequenos roedores, sapos, rãs, cobras e lagartos. Nas praias da Ilha do Cardoso e da Ilha Comprida é muito comum observá-los se alimentando de restos de outros animais mortos, como peixes, caranguejos e tartarugas. Seus ninhos, formados por gravetos, podem ser encontrados nas copas das árvores e e no chão. As fêmeas podem botar até cerca de 3 ovos de coloração branca com manchas marrons. (Foto: Marcos César de Oliveira Santos)

O que um jacaré está fazendo numa praia do litoral paulista? Será que está pegando uma cor? Infelizmente não. Este exemplar de jacaré-do-papo-amarelo (Cayman latirostris) estava morto, com sua boca amarrada e fragmentos de balas de calibre 12 pelo crânio e no estômago. Da ponta do focinho à ponta da cauda, o mesmo apresentava 1 metro e 87 centímetros. Ele foi encontrado na Praia da Barra, em Ilha Comprida. Muito provavelmente foi caçado no Parque Estadual da Ilha do Cardoso, onde são encontrados em abundância, para ter seu couro e sua carne retirados para comercialização. No Brasil, é muito comum os ricos empresários pagarem alguns trocados para membros de comunidades tradicionais carentes matarem a fauna silvestre para a comercialização de carne e outros artefatos, muitas vezes por preços elevadíssimos no exterior. E o pior é que as autoridades competentes são valentes quando lidam com as pessoas simples, porém morrem de medo dos empresários gananciosos. (Foto: Marcos César de Oliveira Santos)


Esta é a cobra-d`'agua, encontrada em restingas e em praias locais quando se aventuram à procura de algumas presas. (Foto: Luciana Barão Acuña)

Um tubarão-branco (Carcharoron carcharias) foi capturado a 27 km de Ilha Comprida em 1992. Era uma fêmea grávida com 5,2 metros de comprimento total e representou o 10o registro desta espécie no Brasil. Apenas para dar uma idéia sobre este grande predador, adicionado à presença de cabeças de outras espécies de tubarão, esta fêmea apresentava os restos de dois golfinhos-pintados-do-Atlântico (Stenella frontalis) em seu estômago. (Foto: Marcos César de Oliveira Santos)

A maioria das águas-vivas são belas, porém algumas espécies podem ser perigosas aos banhistas e aos pescadores. Estas espécies apresentam células urticantes que podem produzir algumas reações alérgicas e queimaduras quando em contato com a pele. É comum observar algumas águas-vivas espalhadas pelas praias locais.
(Foto: Marcos César de Oliveira Santos)

A caravela tem uma bela aparência, porém pode ser perigosa aos banhistas e aos pescadores. Estas espécies apresentam células urticantes que podem produzir algumas reações alérgicas e queimaduras quando em contato com a pele. (Foto: Marcos César de Oliveira Santos)

O manguezal local é considerado como uma das mais importantes reservas biológicas do mundo. Ele apresenta cerca de 160 Km de extensão de Iguape (SP) a Paranaguá (PR). É um berçário para muitas espécies de peixes, ostras, camarões e caranguejos. (Foto: Marcos César de Oliveira Santos)

Muitas pessoas têm uma noção distorcida sobre os manguezais após visitá-los. Elas costumam reclamar do cheiro e da dificuldade de se manter em pé sobre um terreno lodoso. Porém, essas pessoas necessitam compreender que este ecossistema é adequado às necessidades de muitas espécies marinhas e terrestres. Muitas espécies que são consideradas como fontes de alimento comuns aos humanos dependem destes locais lodosos para a sua reprodução e seu crescimento. No entanto essas áreas estão em risco em todo o Planeta. Muitos empresários e indústrias estão tentando destruir estes ecossistemas para enriquecerem. Então...pergunte a eles do que valerá ter em mãos muito dinheiro se poderá faltar alimento? (Foto: Marcos César de Oliveira Santos)

A flor da Bromélia é exuberante e comum ao longo das bordas de todo o estuário de Cananéia. (Foto: Marcos César de Oliveira Santos)

Dependendo do mês que você visita Cananéia, você irá se deparar com cores diferentes na Natureza. Essas são o que realmente podemos chamar de CORES VERDADEIRAS! (Foto: Marcos César de Oliveira Santos)

Comunidade Local

As pessoas que fazem parte da comunidade local são simples, honestas e felizes. Suas vidas não são tão estressantes quanto às das pessoas que vivem nas cidades grandes. Eles não são financeiramente ricos, mas nós estamos certos de que as riquezas que eles têm nunca serão encontradas nas cidades grandes. Nós selecionamos algumas imagens que mostram a simplicidade da vida dessas pessoas.


Os pescadores locais respeitam a natureza. Eles apenas retiram o que necessitam para sobreviver. Se peixes juvenis são capturados na rede, eles os devolvem. Se um boto é acidentalmente capturado e encontrado morto, eles se entristecem. Se eles encontram um boto acidentalmente capturado e com vida, eles farão o máximo para salvá-lo. (Foto: Marcos César de Oliveira Santos)


A arte de pesca apresentada se baseia no uso da tarrafa. Tradição que se passa de pai para filho e exige destreza de quem a utiliza. (Foto: Marcos César de Oliveira Santos)

Seo Santino e seu filho Pedro geralmente acordam cedo para checar a sua armadilha artesanal (chamada de cerco) para a captura de tainhas e paratis, principalmente. Infelizmente em anos recentes eles voltaram a alimentar um boto próximo ao cerco, o que é sabidamente prejudicial aos animais selvagens. (Foto: Marcos César de Oliveira Santos)

Os filhos de pescadores geralmente têm brinquedos que estão relacionados com a principal atividade de trabalho de seus pais. Esse garoto, com seu pequeno barco de madeira, brinca e aprende a cercar pequenos cardumes de peixinhos em águas rasas. Este é um de seus "video games" naturais. (Foto: Marcos César de Oliveira Santos)

Uma cena comum que pode ser observada em águas estuarinas locais: tucuxis se deslocando em paz próximos a embarcações locais de pequeno porte e baixa velocidade. O respeito existente entre os pescadores e os botos na região é assustador. Infelizmente o mesmo não ocorre na maioria dos relacionamentos entre os turistas e os botos. (Foto: Marcos César de Oliveira Santos)

Seo Antônio é um pescador que tornou-se muito feliz ao auxiliar a equipe do Projeto Atlantis. Vivendo em uma casa isolada na Ilha do Superagui, no Paraná, ele atravessava a praia local com cerca de 24 Km de extensão com sua bicicleta diariamente à procura de cetáceos encalhados. Nós o ajudamos com roupas, alimento e livros. Seo Antônio provou que a riqueza dos seres humanos pode ser apenas encontrada quando você faz amigos com os quais você compartilha conhecimentos e experiências de vida. (Foto: Marcos César de Oliveira Santos)

Aroldo é o piloto da embarcação de pesquisa. É um amigo especial que tem nos ajudado na aproximação cautelosa dos botos. É um cidadão local educado e gentil que orgulha-se de trabalhar com a preservação da natureza. Ele sabe onde se encontra cada banco de areia e acredite em nós...ele consegue ser mais preciso que o nosso GPS!!! (Foto: Marcos César de Oliveira Santos)

Marcos César à esquerda conversa com o Cananeense Seo Romeu: um caiçara amante da natureza, amigo de todos os que lá vivem e um exímio educador. Seo Romeu é o que poderíamos chamar de "mito". (Foto: Édrey César Momo).


Muitos moradores locais gostam de ver as nossas fotografias e estamos acostumados a ouvir coisas do tipo: "Meu Deus! Essas fotos não foram feitas aqui, foram?" E nós apenas respondemos: "Vocês precisam tirar um tempinho para curtir as suas riquezas....os botos, a natureza, as aves marinhas, o pôr do sol, o nascer do sol...então comecem já!" (Foto: Marcos César de Oliveira Santos)

No começo do nosso trabalho, poucos habitantes locais acreditavam que poderíamos reconhecer diferentes botos com as fotografias. Atualmente, mais e mais moradores locais estão convencidos de que essa identificação é possível, principalmente após observar parte do nosso catálogo de identificações individuais. Nesta foto, um morador local reconhece a fêmea KN # 003.
.(Foto: Marcos César de Oliveira Santos)

Mapa do Centro Histórico